Psicodelia Aguda

Rindo é que aproximo-me do mato,
Turvo.
E tudo bate devagar, soa como a voz do coração,
Crua.
Prendo-me à minha respiração,
Nula.
E de tê-la ao meu lado, recuso,
Curvo.
Ali, onde uma cabeça se parte na pedra.

Espero pelo sol dançante,
Amante.
todavia suspende-se no céu enorme,
Repolho.
E o mundo rápido célere voa,
Encolho.
O tempo vago, amargo à toa,
Adiante.
"Analiso as coisas minuciosamente. Nunca me exalto. Não me sinto ofendido facilmente. Penso sempre muito bem antes de agir. Nunca respondo perguntas que podem me comprometer. Não gosto muito de calor. Não choro, ou pelo menos nunca em público. Procuro adaptar a minha personalidade a cada pessoa que conheço, para um melhor relacionamento e interação. Daqui 10 anos vou lembrar de coisas que você já esqueceu. Eu nunca perco. Você entenderá."

Frio e calculista.
Às vezes, o pedaço de vida que se tem, não é suficiente pra ser; apenas existir.Um pedaço de sentimento talvez sobreviva a tantas inteligências artificiais, mas não será suficiente para derramar mais uma lágrima sequer.

Por Momentos

Por um momento, seco
Voltado de cara pro céu
Por um momento, negro
Violado corpo cruel

Por um momento, curvo
Alma no chão
Por um momento, surdo
Acalma a solidão

Por um momento, longe
Viaja pro interior
Por um momento, monge
Encoraja o santo à dor

Mente Aberta

O apagar da noite em meu quarto
é como sede que me ignora
que vai embora de repente.

A negra respiração acompanha meus ouvidos
não vejo corpos unidos na janela clara.
Vejo o que sou, com medo desejo instantâneo.

O apagar da noite em meu quarto
não tem movimento, ou grilo falante
Um errante suspiro me faz tropeçar

Caminho sem ousar caminhar
Apenas meus olhos adormecem,
minha mente tende a acordar.
Esse blog já tem um ano, e em um ano o que se pode dizer? O que se pode esperar? Bem, estimo que eu tenha amadurecido algo em torno de um dia. Pelo menos um dia. O ano de 2007 foi desvastado de lições, não há dúvida. Em resumo, posso dizer que aprendi e senti muita coisa. Neste exato momento minha cabeça suga as mais importantes causas de maneira racional e parcial. Bem, mais não nos estendemos muito. E que a poesia venha por si só. Ela já basta.

O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro (Releitura: Minha pessoa)

Se eu pudesse ser alguém além de mim e Jim Morrison, seria Fernando Pessoa. Por isso, eu resolvi tentar fazer uma releitura do I poema do livro de Alberto Caeiro: O Guardador de Rebanhos.

Eu nunca guardei rebanhos
Mas é como se os guardasse.
Minha alma não é como um pastor,
Mas como um cajado, que sente o chão
E segura o fraco corpo quando preciso.
Toda a paz da Natureza sem gente
Sussurra palavras incompreensíveis aos meus ouvidos
O meu corpo não é como um cajado,
Mas como um pastor que o rebanho assiste,
Sem alterar uma batida do coração.

Mas a minha tristeza é sossego,
Pois estou em minha inteira consciência.
Pobres daqueles que se deixam cegar
Pela inebriante luz do amor.

Para cada pingo de chuva que chora o céu,
Existem dez lágrimas presas de solidão.
Invade o meu ser um frenesi, e então,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incomoda como andar à chuva;
O corpo estremece ao frio
E a alma à culpa.

Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho
E mais próximo de mim.
É na poesia que tudo finda
E onde quero me findar
É na realidade colorida dos versos onde quero descansar os olhos.
É no verdadeiro entendimento sublime das palavras
Que estou disposto a me afogar.

Quando me sento a escrever versos
Não imagino o que escapará ao meu silêncio.
Escrevo meus versos num papel que está no meu pensamento,
Entôo cantilenas surdas em meu sorriso
E logo mais esqueço, me apago.
Me sinto um cajado em minhas próprias mãos
Quando minh'alma sucumbe à generosidade
Tão condenada por mim.
Não vejo nada além da linha do horizonte
E não escuto mais do que pensamentos altos e conversas banais.
Me permito sorrir vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que compartilham da minha loucura
E não enlouqueceram por fim.
Saúdo também os que não me compreendem e secretamente espero,
Que nunca venham a me compreender.

Saúdo-os e desejo-lhes sol
E chuva, quando a chuva é precisa
E desejo-lhes algo melhor do que ler os versos de um poeta sem lei
Mas se assim não quiserem,
Desejo apenas que ao lerem meus versos, pensem
Que eu sou qualquer coisa natural -
Por exemplo, a árvore antiga
Que abrigou diversas gerações
E mesmo assim, não tem nada pra contar.



É realmente mais fácil escrever coisas bonitas, quando alguém já teve a disposição de pensar nelas pra você.

Relato de um carnaval sóbrio (parte II)

Não vi muito esses dias. Apenas vi gente, muita gente que me guiava pra sabe Deus onde. Eu vi liberdade andando ao meu lado e me avisando que para ser livre não basta uma cerveja na mão, não basta querer ser tudo sem poder; liberdade é caminhar sem ser notado ao léu.

Relato de um carnaval sóbrio (parte I)

Dois dias de carnaval, sempre assim: Olinda e Recife Antigo. Dois dias de carnaval, sempre assim: aproveitando o máximo todos os movimentos iluminados dos grandes e belos estandartes, bonecos enormes, poderosos instrumentos e um mar no fundo da paisagem, do alto de Olinda. Dois dias de carnaval e sempre assim: umas 12 mulheres entre primas e amigas de primas.

Não há dúvidas que o carnaval do lugar onde vivo é feito para todos os gostos e não há como negar que isso muitas vezes se torna um problema, mesmo que pequeno, para a satisfação de alguns. Mas aí o prazer de estar sentindo a vida como carnaval vem mais forte e a alegria é forte, faz delirar. Parece canção de frevo, mas é verdade. E mais dois dias estão por vir, para dar adeus às longas férias...

"Neste mundo quem não faz o passo/ Não tem amor/ Não tem prazer na vida/ Viver triste assim/ Pra que viver?/ Pra quê, querida?/ Vamos, morena, cantar e dançar/ Um frevo gostoso e ardente/ que bole com a alma da gente/ E para você não sair do compasso/ Segure, meu bem, no meu braço/ E vá repetindo o que eu faço"

- Capiba -